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Traumas de graduação I

Ah, a universidade! Tempo, para muita gente, dos primeiros porres; das primeiras sarradas; das primeiras decepções amorosas; das primeiras viagens coletivas (rodoviárias ou metafóricas); dos primeiros baseadinhos no bosque; dos primeiros tequinhos nos banheiros mais obscuros; das primeiras festinhas das quais se volta sem saber como; dos primeiros filhos que, como 99% da humanidade, não foram planejados; da primeira pedrinha encontrada no feijão do RU; do primeiro namorado(a) comunista; enfim, tempo de muitas novidades, umas boas, outras ruins, mas todas absolutamente construtivas.
Entretanto, nessa fissão que se opera entre o Ensino Superior e seu antecessor Médio, algumas das lacunas que se abrem são difíceis de se preencher. Dentro desse angustiante conjunto, uma se destaca mais do que todas: a substituição de uma palavra lúdica, festiva, congregadora, por outra que não faz mais do que delimitar o espaço entre dois períodos de tempo. Em outras palavras, a chaga que se abre quando passamos a usar “intervalo” em detrimento de “recreio” é do tipo para a qual, meus amigos e amigas, não há bálsamo que seja capaz de curar.

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Sandro Brincher

Eu sou aquele que, de fones nos ouvidos, através da janela empoeirada do ônibus, perscruta os paralelepípedos irregulares da calçada de um parque à procura de alguém que tenha, ao resgatar do fundo das algibeiras um maço de cigarros molhados pela chuva que acaba de dar trégua, derrubado um bilhete premiado de loteria.

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